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Pé na estrada, e mão no garfo
 
 

Coluna por:

 

  Claudemir Beneli
  beneli@suarota.com.br
 
 
 
 

Descobrir novos lugares, conhecer pessoas e costumes diferentes, enfim, ter uma experiência cultural única e enriquecedora. Para muita gente, viajar significa tudo isso. Para mim também, mas só se eu puder também provar o prato típico do lugar.

Por ano milhares de "gulosos" movimentam uma parte importante da indústria do turismo, tanto que certos destinos se tornaram mais famosos por seus atrativos gastronômicos que pelas belezas naturais. Sem falar naqueles que só entram no roteiro mesmo pela beleza do que colocam à mesa.
Mas os gulosos não devem ser os únicos. Qualquer viajante que se preze, deve provar a culinária típica do lugar que está conhecendo. Enfrentar 20 horas de vôo até o Japão para fazer todas as refeições no Mc Donald’s é um pecado tão grave quanto dançar samba em Buenos Aires. A gastronomia é parte importante da cultura de um povo e, por isso mesmo, é uma das melhores formas de conhecer um pouco mais dessa cultura. 

Contudo, uma certa prudência também é recomendada na hora de realizar novas experiências gastronômicas. É grande o número de viajantes que, por se aventurarem pelo mundo dos pratos exóticos, acabam conhecendo mais banheiros do que pontos turísticos durante suas viagens. 

Agora, tomadas as devidas precauções, o negócio é "cair, literalmente, de boca" e aproveitar tudo que só uma culinária local pode oferecer. Viajar é sempre uma oportunidade de apreciar aqueles pratos que, às vezes, até encontramos em restaurantes típicos, mas que, degustados in loco, além de todo o sabor dos ingredientes frescos, ganham o acompanhamento insuperável da paisagem local. 

Como já disse, essa experiência cultural gastronômica deve fazer parte de qualquer viagem, mas para pessoas como eu, que passam mais tempo do que deviam pensando em comida, comer pode acabar sendo a própria viagem, ou melhor, o motivo que leva a ela. E como não estou sozinho no Mundo, é cada vez maior o número de guias e agências especializadas em roteiros gastronômicos, tanto que alguns destinos podem ser considerados como verdadeiras cidades refeitórios. Esses lugares atraem uma horda de famintos, que, depois de satisfazerem seus apetites itinerantes, abandonam a localidade, mas não sem antes encher a bolsa com os famosos souvenirs de viagem, que, nesses casos, mais parecem uma lista de ingredientes. 

A França talvez seja a localidade mais conhecida que atrai esse tipo de turismo, denominado, por alguns, de enogastronômico. Durante o ano inteiro, pessoas saídas de todos os lugares, inclusive da própria França, percorrem algumas estradas pelo interior do país, em busca dos famosos auberges. Esse tipo de hospedaria chic, onde se encontram alguns dos chefs mais renomados do mundo, é um atrativo turístico tão importante quanto o Louvre ou a Torre Eiffel. 

Não é preciso, porém, atravessar o Atlântico para degustar toda a diversidade e a riqueza de uma culinária típica. Às vezes, basta descer a serra para se sentar em uma boa mesa e apreciar uma comida local saborosa, como fazem muitos curitibanos que visitam freqüentemente as cidades de Morretes e Antonina, no litoral do estado, para aplacar o desejo de saborear o típico barreado. 

Em alguns casos, não é necessário nem mesmo ultrapassar os limites urbanos para chegar ao destino gastronômico almejado. Em cidades como São Paulo, onde se concentram comunidades de imigrantes de diversas partes do mundo, é possível devorar as delícias típicas de uns três continentes em um único dia. 

Mas como o bom mesmo é juntar a fome com a vontade de viajar, o ideal é sair por aí, em busca de novos destinos e pratos. Afinal, é como já diz o velho ditado: "Quem tem boca vai a Roma", e volta de lá com a "barriga cheia". 

 

Foto 1 - Mc Donald´s de Tóquio, se for ao Japão evite comer por lá. 
Foto 2- feira típica da região de Provence, na França. Localidade que atrai milhares de devotados apreciadores da boa mesa.

 

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