A realização de um sonho. Uma experiência indescritível. 2 meses na Europa. E mais: apenas a passeio... Sim, um privilégio, eu sei. Um momento aguardado desde a infância e, principalmente, desde os meus 15 anos. Naquela época não deu. Mas valeu a pena esperar. Era a viagem dos sonhos, a companhia perfeita, uma idade ótima, o espírito ideal.
A preparação foi corrida: pesquisa aqui, ali, compra livros, faz busca na internet, conversa com pessoas que já foram, compra roupas especiais, pressiona a agente de viagem...E chega a hora de partir. Ah, claro, e com as coisas assim, sabe?! Roteiro em aberto, albergue certo só na primeira cidade e por aí vai.
Éramos em três. Amigas de infância, de adolescência, de vida e para toda a vida. As três com 21 anos, personalidades completamente diferentes, mas com desejos em comum e muita afinidade. Tá bom, nem tudo foram flores... às vezes a vontade de arrancar uma pétala era grande. No entanto, venceu a amizade!!
1ºde fevereiro de 2005 - mochila nas costas, chegamos ao nosso primeiro destino: Barcelona, na Espanha. E também aos primeiros desafios: conseguir um mapa, descobrir a melhor (e mais barata) forma de transporte e localizar o albergue. As mochilas pesavam, o frio já começava a ser sentido, a língua era outra. Mas quer saber? Nem foi tão difícil... como dizem, quem tem boca vai a Roma (ops, vamos deixar a Itália para outro capítulo). Continuando: bastou entrarmos no albergue para formarmos a primeira e última impressão; o nome é Gothic Point (www.gothicpoint.com) - que lugar! Uma escolha maravilhosa. Ótima estrutura, funcionários absolutamente simpáticos e dispostos, café da manhã reforçado, boa localização e, para começar bem mesmo, já na primeira noite foi organizada uma festa coletiva. Uma não, cinco: iniciava no próprio albergue (com direito a DJ brasileiro) e depois todos passavam em quatro bares/boates. Tudo regado a muita sangria, uma famosa bebida espanhola. Resultado: não chegamos ao quarto bar... não, não por causa das sangrias... decidimos voltar antes para não perder o dia de passeio que logo amanheceria. Mas valeu a pena. A noite rendeu diversos amigos/as (sim, apenas amigos...) de várias partes do mundo: Austrália, Canadá, EUA, da própria Europa e muita cultura e diversão durante o dia. Ah, também descobrimos o quão gringas, ou, pão duras somos, a ponto de pagarmos 2 euros para almoçar 1 Burger King e dividirmos 1 refrigerante.
Considerada à altura das grandes cidades européias, a capital da Catalunha mescla monumentos históricos da cidade velha com toda a arte do modernismo do início do século XX. Nossa caminhada começou pelo Barri Gòtic, ou, Bairro Gótico, com ruas super estreitas, casas sem grandes decorações além das sacadas com grades baixas e flores. Já estávamos encantadas. Passamos pela marina de Port Olímpic, seguimos pela Passeig de Colom até o monumento em homenagem a Cristóvão Colombo. O monumento está localizado na extremidade de uma das avenidas mais famosas da Espanha: Las Ramblas. Uma rua cheia de cafés, lojas, casarões e onde podemos encontrar, por exemplo, pessoas parando no meio da tarde para tomar um bom vinho e comer um “petisco”... E é nela também que começamos a admirar as obras do famoso arquiteto catalão, Antonio Gaudí. A cidade certamente deve a ele muito de sua beleza. Gaudí é o responsável pelo Palau Güell, Casa Battló, Casa Calvet, Casa Millà, “La Pedrera”, onde hoje funciona um museu que vale a pena visitar, o Parc Güell, um parque enorme, rico em detalhes, muitos homenageando a natureza, e a Sagrada Família; a igreja mais impressionante da Europa. Foi sua maior obra, porém está inacabada. Gaudí viveu recluso nela durante 16 anos. Apesar da morte de seu criador, em 1926, o trabalho foi retomado após a Guerra Civil e continua até hoje. A fachada é simplesmente deslumbrante, mas já vou avisando que a visita interna é desnecessária. Além de cara, dentro só vemos peças sendo moldadas e muita bagunça – realmente não vale a pena! Fora as obras de Gaudí, Barcelona tem praças, igrejas e museus lindos. Mas o melhor mesmo é a atmosfera da cidade, carregada de sossego e da simpatia de seus habitantes!
Engraçado como somos capazes de mudar de opinião tão rapidamente. E mais: como somos capazes de formar uma opinião de algo que não conhecemos... a Espanha acabava para nós (daquela vez) tendo nos conquistado por completo. E dizer que pensamos duas vezes antes de irmos para lá...